Eis que somos humanos e temos em nós a necessidade de expor às pessoas nossas angustias, medos, revoltas… Dessa necessidade eu notei o quão intrigante são alguns temas. Certo dia em uma caverna marciana, conversávamos, eu e meus ‘eus marcianos’, sobre o ‘Ser ‘ diante do ‘Universo’ –seja ele sideral ou de suas idéias. Qual seria o propósito de nossa existência? Por que eu nasci? Eu já existi? Qual a sensação de não ser um ‘Ser‘ universal? Dentre essas perguntas cheguei a uma em particular: Como será o mundo após minha inexistência? Tentei então imaginar como seria a sensação de fim diante da morte que nos persegue. Quanto mais pensava, mais medo eu tinha. Tive a sensação de estar fora do meu corpo e ver toda a terra se distanciando e ficando cada vez distante… Fazia um silêncio doente, um nó apertava a garganta, eu estava só em um universo paralelo ao qual apenas eu pertencia e as pessoas que tanto amava ficavam distantes, distantes, distantes… Até eu não mais conseguir as enxergar-las e me banhar em uma piscina negra na qual existia apenas o frio e vácuo do universo. Nesse momento de pensamentos atribulados eu fui acordado por tambores que batiam num ritmo de nostalgia, aquela batida fez-me lembrar da minha infância, minha primeira bicicleta, meus grandes amigos que hoje estão espalhados pelo mundo -em sua maioria perdidos pela falta de instrução-, as brincadeiras, pião, pipa, pega, roda… E a medida que voltava daquela experiência a minha linha do tempo caminhava nítida e constante. Lembrei das paqueras, o primeiro beijo, casa da vó, primos reunidos fazendo algazarra e se divertindo, as conversas durante a madrugada, estórias de terror, uma casa antiga, uma casa mal assombrada, rodinhas de violão, luau na beira do mar, os primeiros shows, discos antigos que ouvíamos incansavelmente enquanto conversávamos, livros… Com isso aquela batida ficava cada vez mais intensa e então percebi que aqueles tambores eram na verdade meu coração disparado. Me acalmei, notei a boca seca, senti saudades de casa, da paisagem do sertão, do amanhecer e anoitecer mais lindo do mundo! Senti saudades dos meus pais, primos, tios e tias. Percebi então que sou sim um ser eterno, pois da minha perspectiva não existe inexistência, eu nunca a experimentei. O mundo existe para mim desde que eu existo e vai acabar quando eu não mais existir, isso é o bastante. Pensar em como será após meu fim não faz sentido, pois para mim eu não terei fim.
Outubro 15, 2008 às 3:26 am
Não gosto muito de ficar elucubrando sobre a vida, não sou muito chegado a Filosofia.
http://www.bloginside.wordpress.com
Outubro 15, 2008 às 3:30 am
sou um bugo nostálgico… very nice ET Boy =~~~~